Era uma vez… Há Muito Tempo Atrás…Em uma Terra Distante. … Existia um jovem rapaz que queria ser astronauta…
Ontem organizando alguns arquivos no PC, acabei achando umas fotos que me encheram de nostalgia. Principalmente uma foto minha de quando fazia a primeira série do ensino fundamental, em 1987. Não lembro muito tempo daquela época, alias não lembro quase nada da minha infância, apenas alguns fragmentos, mas naquela época lembro bem que queria ser astronauta, médico ou advogado, engraçado como criança gosta de pensar nessas coisas, pensar grande, mas é bom olhar para a lua e imaginar uma forma de construir algo para nos levar até lá, mas ai vem a vida adulta e estraga tudo.
A vida adulta mostra para as crianças algo muito cruel chamado vida real. Nessa vida muitos dos nossos sonhos e outras coisas são deixados de lado pois passamos a viver para trabalhar ou trabalhar para viver. Mas existem momentos de felicidades, momentos que sentimos como se o mundo que carregavamos nas nossas costas desapareceu, um deles é quando a gente se forma, quando ouvimos o reitor dizer que estamos prontos para o mundo, para o mercado de trabalho, o engraçado é que quando me formei já trabalhava a 8 anos. Mas não importa a sensação de alívio é boa demais, poderia até me viciar.
Mas as vezes jogamos tudo pro alto e decidimos começar uma nova vida, tentar algo novo, um novo começo, ou simplesmente para mostrar para o mundo e principalmente para nós mesmos que podemos fazer tudo aquilo que quisermos. Depois me formar, um belo dia surgiu a idéia de fazer mestrado, então mais uma vez larguei família, amigos, trabalho e fui em busca de tornar realidade um sonho. Chegando lá descobri que não era tão fácil.
Mas existem alguns momentos de realizações, algumas coisas que compensam, tipo quem imaginava que o menino do interior do PI iria estar um dia na Suécia apresentando trabalho num congresso internacional, o mais importante de sua área e conhecendo gente importante e que ela só conhecia pelos artigos que lia.
Agora estou aqui novamente terminado mais uma fase da minha vida e começando outra, mais uma vez tendo que fazer escolhas difíceis para correr atrás daquilo que desejo, ainda não sei o porquê, pois já estou nessa estrada a muito tempo, muitos coisas boas e ruins já passaram pela minha vida, e mais vão passar, mas me pergunto: sou viciado em provar para mim mesmo que sou capaz de fazer qualquer coisa que eu quiser, que posso ir além do limite da maioria das pessoas? Sinceramente não sei, mas gostaria de me desafiar a terminar de escrever a minha dissertação, pois no momento estou com a síndrome da página em branco. Lógico que tenho meus motivos por está passando por isso, mas luto contra isso não de hoje, mas há alguns anos e agora eles estão ganhando.
Porém, mais um desafio veio até mim, estou num caso de: “se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”, tenho que terminar a dissertação de mestrado para começar o doutorado, mais um desafio que resolvi encarrar, pelo menos vai estar escrito na minha lápide, “Aqui repousa em paz, Julio Cesar Damasceno, PhD em Ciências da Computação, mesmo não tendo aproveitado as coisas boas da vida, pois estava estudando, mas Dr.”. As aulas do doutorado começam em março e aqui estou eu tentando sair de mais uma página em branco para que minha vida não seja uma página em branco.








